Cresce uso de capital próprio, mas diversificação de fontes será crucial para expandir com sustentabilidade
As fintechs de crédito que atuam no Brasil alcançaram o patamar de crescimento sustentável. Um dos fatores que explica esse resultado está diretamente ligado à maior participação do capital próprio nas fontes de financiamento, como aponta a Pesquisa Fintechs de Crédito Digital 2025, produzida pela Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD) e pela PwC Brasil.
Segundo a pesquisa, metade das 44 fintechs que participaram do estudo usou capital próprio para financiar suas operações. Esse caminho se sobrepôs a opções mais tradicionais, como linhas de crédito bancário ou a captação no mercado de capitais. Em 2023, o capital próprio representou 38% entre todas as formas de captação e financiamento. No ano passado, passou para 46%.
Esse movimento denota maior grau de maturidade do setor, que conseguiu navegar pelos períodos menos promissores e alcançar a geração de lucro com consistência. Essa dinâmica favorece o reinvestimento dos resultados no processo de crescimento do negócio. A rentabilidade operacional garante a resiliência para navegar diante de adversidades do mercado e respalda a expansão da carteira de crédito.
O estudo ressalta que fatores macroeconômicos, como juros elevados e maior aversão à tomada de risco, por parte dos investidores, reduziram a liquidez nos mercados. Foi o que aconteceu com as emissões de ações, que têm passado por um período de baixa.
Trata-se, portanto, de um cenário mais restritivo no que se refere às opções de financiamento externo. Essa combinação de fatores colocou as fintechs em um caminho de busca constante por opções de financiamento que tenham fôlego para sustentar seu crescimento no longo prazo.
FIDCs ganham espaço na captação
Entre as fontes de financiamento capazes de viabilizar o crescimento sustentável das fintechs de crédito, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) têm exercido papel cada vez mais expressivo. Com aportes de uma gama variada de investidores institucionais, esses fundos aumentaram sua parcela de contribuição na expansão das fintechs de crédito.
Segundo o estudo, os FIDCs permitem que as fintechs se concentrem na originação e na análise do crédito, enquanto o risco é distribuído entre os investidores. Essa combinação de fontes de financiamento é imprescindível, porque o capital próprio apresenta limites.
Na jornada de expansão, é natural haver o aumento da demanda de fontes de financiamento. As análises do estudo mostram que o potencial de crescimento não pode ser podado pela dependência dos recursos internos.
Manter a diversificação das fontes de financiamento é um desafio para as fintechs de crédito
A análise do comportamento das fintechs de crédito nos últimos cinco anos no Brasil indica ser possível evoluir diante de pressões macroeconômicas. Mesmo pressionado por uma combinação desafiadora de juros elevados, liquidez escassa e aumento da concorrência, o setor não esmoreceu.
Além de manter em pé as operações, as fintechs de crédito mantiveram fôlego para crescer a base de clientes, diversificar produtos e buscar novas estratégias de financiamento. Mais maduras, essas fintechs vêm se consolidando como peças fundamentais no sistema financeiro brasileiro, criando oportunidades para inovar e investir em tecnologias emergentes.
A Pesquisa Fintechs de Crédito Digital 2025 mostra que mais da metade das fintechs analisadas (52%) apostaram em inovação de produtos, desenvolvimento de soluções e revisão de modelos de concessão de crédito para aumentar o desempenho no setor. Em 2023, menos da metade das fintechs que participaram da análise (35%) apresentaram disposição para inovar.
No entanto, os desafios continuam, segundo o estudo conduzido pela ABCD e pela PwC Brasil. Para manter o ritmo de crescimento sustentável, será preciso diversificar fontes de financiamento, assim como reforçar as estruturas de governança para atuar em um cenário de transformações regulatórias e concorrência pressionada, investindo continuamente em inovação, eficiência operacional e gestão estratégica.





