Durante muito tempo, guardar dinheiro significava apenas colocar as economias na poupança. Mas, nas últimas décadas, esse comportamento mudou entre os brasileiros, devido a fatores como amadurecimento da indústria de fundos, maior conhecimento sobre finanças e o surgimento de ativos financeiros com estratégias adequadas ao perfil de cada tipo de investidor e com remuneração mais atrativa.
Para o investidor pessoa física, esse movimento foi uma boa notícia. Ele passou a ter acesso a diferentes tipos de fundos, atrelados à renda fixa, multimercados e, recentemente, ao crédito privado, diversificando sua carteira de investimentos e controlando o risco.
Entre as modalidades de fundos que vêm ganhando a atenção dos investidores, estão os chamados ETFs (Exchange Traded Funds).
Apesar da popularidade crescente, ainda existem dúvidas importantes: afinal, o que são ETFs, como funcionam na prática e quais riscos estão envolvidos nesse tipo de investimento? Aqui, vamos esclarecer essas perguntas, para que você possa analisar se eles estão de acordo com seu perfil de investidor e suas necessidades atuais.
O que é um ETF?
O ETF é um fundo de investimento que tem como referência algum índice da bolsa de valores, seja no Brasil ou no exterior. Traduzindo, eles copiam o seu desempenho, como, por exemplo, o Ibovespa, que reúne os papéis mais negociados da B3. Também podem se basear em índices de fora, como o S&P 500 e o Nasdaq-100 das bolsas americanas.
Por estar atrelado a algum índice de referência, o ETF consegue “imitar” o comportamento do indicador – se ele cai, o rendimento segue a mesma linha, e vice-versa. O foco é replicá-lo, e não superá-lo. Essa estrutura é conhecida como gestão passiva, que tende a ter custos mais baixos em relação aos fundos tradicionais.
Além da bolsa, os ETFs podem estar baseados em outros “fundos de índice”, como ouro, ativos internacionais, criptoativos ou setores específicos da economia.
Nos Estados Unidos, os ETFs ficaram populares entre os anos 1990 e 2000, e atualmente contam com mais de 4.000 listados. No Brasil, ganharam espaço no mercado no final de 2022, quando a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) autorizou o acesso de pequenos investidores a esses fundos. Desde então, a quantidade de novos ETFs na bolsa segue em crescimento, totalizando cerca de 140 atualmente, assim como o número de pessoas que adquire suas cotas.
Tipos de ETFs: de investidores iniciantes a avançados
Os ETFs têm características diversas, dependendo do índice ou ativo que replicam.
ETFs de renda variável
São os mais comuns e acompanham índices de ações. Seu foco é a rentabilidade de longo prazo.
ETFs de renda fixa
Replicam índices de títulos públicos ou privados. Normalmente, atraem perfis mais conservadores.
ETFs internacionais
Permitem acesso a ativos de fora do Brasil diretamente pela B3. Com isso, ampliam a diversificação geográfica da carteira de investimentos.
ETFs setoriais
Concentram investimentos em setores específicos como tecnologia, energia ou saúde, apostando em atividades diversas da economia.
ETFs de commodities
Acompanham o comportamento de ativos como ouro, petróleo ou metais. Geralmente, são utilizados como estratégia de proteção contra a volatilidade econômica.
ETFs temáticos
São baseados em tendências ou estratégicas específicas, como ESG e inovação. São produtos mais sofisticados, com foco em investidores que têm um conhecimento mais elevado sobre o assunto.
Vantagens e desvantagens de investir nesse tipo de fundo
Para o investidor que está começando a olhar com atenção para os ETFs, em um primeiro momento esse tipo de fundo parece resolver um dos principais dilemas: investir bem sem ter que escolher ativos individualmente.
Embora essa percepção seja parcialmente verdadeira, com a facilidade de acesso, os ETFs não eliminam a tomada de decisões importantes sobre risco, estratégia e objetivos.
Por isso, é importante avaliar os benefícios e desvantagens desse tipo de ativo antes de fazer qualquer investimento.
Vantagens
- Diversificação imediata. Em um único ETF, o investidor consegue acessar uma carteira ampla de ativos e balanceá-la, graças à atualização periódica.
- Custos mais baixos. A gestão passiva reduz taxas em comparação com fundos ativos. O acompanhamento da carteira demanda menos tempo do gestor.
- Facilidade de acesso. São negociados em bolsa, com funcionamento semelhante ao de ações.
- Transparência. A composição do índice é pública, o que facilita o entendimento do investimento.
- Simplicidade na negociação. Uma taxa de corretagem é paga em cada operação e é possível acompanhar as cotações por meio dos dados diários divulgados pela B3 ou pelas bolsas internacionais.
- Pagamento de dividendos. Alguns ETFs replicam os índices de empresas conhecidas por seu histórico de boas pagadoras de proventos e distribuem os valores recebidos aos seus cotistas.
Desvantagens
- Não protegem contra quedas do mercado. Se o índice cair, o ETF segue o mesmo caminho. E vice-versa.
- A diversificação pode ser limitada. Alguns índices – como os setoriais – ficam concentrados em poucas empresas e atividades específicas.
- Exposição indireta a riscos. Como os relacionados aos movimentos do câmbio e juros.
- Exigem entendimento do índice. Investir sem conhecer a sua composição pode levar a decisões desalinhadas com o perfil do investidor.
- Taxa de administração. Serve para remunerar o trabalho realizado pelo gestor, responsável pela gestão da carteira.
- Incidência de Imposto de Renda. A alíquota é a mesma aplicada sobre o mercado de ações em geral.
Educação financeira: precauções a serem tomadas antes do investimento
Os ETFs podem ser uma ótima alternativa para quem busca simplicidade e diversificação em sua carteira de investimentos. No entanto, alguns pontos merecem atenção antes de fazer o investimento:
- Avalie o nível de risco. Nem todo ETF é adequado para todos os perfis. Produtos setoriais ou internacionais, por exemplo, podem ser mais expostos à volatilidade.
- Observe os custos totais. Além da taxa de administração, é importante considerar aspectos como corretagem e spread entre compra e venda.
- Verifique a liquidez. ETFs com menor volume de negociação podem apresentar maior diferença entre preço de compra e venda.
- Alinhe o investimento com seus objetivos financeiros. O ETF deve fazer sentido dentro da estratégia do investidor, e não ser uma decisão isolada.
Para o investidor iniciante, o ponto mais importante não envolve apenas acessar o produto, mas entender três pontos fundamentais:
- Qual o papel que o ETF cumpre em sua carteira?
- Quais riscos estão envolvidos nesse tipo de investimento?
- Como ele se encaixa em uma estratégia de longo prazo?
Mais do que escolher um produto específico, o ponto principal está em compreender como o ETF vai trazer benefícios para a carteira, se o investidor está disposto a lidar com os riscos envolvidos e sua aderência aos objetivos de longo prazo.