Em cenário econômico, doméstico e internacional com muitas incertezas, renda fixa se mantém no topo da preferência dos investidores
O ano de 2026 já começou com registro de recorde em volume de ofertas para Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e Notas Comerciais. No total, as ofertas no mercado de capitais totalizaram R$ 59,9 bilhões em janeiro, maior volume registrado na série histórica da Associação Brasileira de Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), realizada desde 2012. Nesse desempenho, a renda fixa teve papel determinante, com alta de 30,5% em relação ao mesmo período de 2025.
Entre os destaques, estão os volumes alcançados pelas Notas Comerciais e FIDCs. Desenvolvidas para oferecer mais facilidade no acesso ao mercado de capitais, desburocratizando as ofertas, as Notas Comerciais alcançaram um volume inédito em janeiro deste ano. Foram R$ 6,4 bilhões, o que representa quatro vezes mais que o valor registrado em janeiro de 2025. O crescimento no período foi de 329%, segundo a Anbima.
Os FIDCs não ficaram para trás e registram volume inédito para janeiro, R$ 7 bilhões, que é praticamente o dobro do alcançado no primeiro mês de 2025. Para Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, os resultados apresentados por esses dois instrumentos indicam que o mercado de capitais pode atender às necessidades de financiamento de companhias dos mais variados portes.
“É interessante notar o desempenho neste início de ano desses instrumentos – Notas Comerciais e FIDCs – que atendem também empresas de menor porte”, ressaltou Maranhão.
Desde 2025 o desempenho positivo dos FIDCs segue surpreendendo o mercado. Ao final do ano, esses fundos registraram a maior captação entre os títulos de securitização, alcançando R$ 90,8 bilhões, o que significa um incremento de 9,5% em relação a 2024. Dados da Anbima apontam que os FIDCs somaram mais de mil operações em 2025, correspondendo a 42% da quantidade de ofertas de renda fixa.
Na análise do volume aplicado por investidores brasileiros, os FIDCs foram o primeiro lugar em crescimento percentual por instrumento. Esses fundos receberam R$ 51,9 bilhões de investimentos em 2025, o que representa alta de 122,8% em relação a 2024.
Entre os produtos de investimento estruturados, os FIDCs apresentaram os melhores resultados em 2025, ao lado dos Fundos de Investimento em Participações (FIPs). Julya Wellisch, diretora da Anbima, diz que os FIDCs têm uma participação muito relevante como financiador da economia real, além de ser destino de uma parcela crescente de recursos de investidores. Em 2025, o número de contas de investidores em FIDCs passou de 172,2 mil em janeiro para 331,4 mil em dezembro, o que representa alta de 92,5%.