A evolução dos pagamentos foi um dos temas mais debatidos ao longo do segundo dia do FEBRABAN TECH 2026, maior evento de tecnologia e inovação do setor financeiro da América Latina. A inteligência artificial está promovendo grandes transformações no setor, incluindo o avanço dos agentes de IA, que agora recomendam produtos para os usuários, realizam transações, interagem entre si e ainda negociam na outra ponta da jornada.
Segundo pesquisas do mercado, se depender dos usuários, sua adoção será relevante no curto prazo. Um levantamento feito pela Visa apontou que 76% dos entrevistados estão dispostos a usar essa ferramenta. Já um estudo da Accenture identifica um passo além nesse comportamento: 74% estão delegando recomendações de compra para os agentes de IA e 12% já confiam na tecnologia para efetuar pagamentos. “Vai chegar um momento no qual todos terão agentes de compra. Mas não podemos abrir mão da segurança dessas plataformas”, afirmou Giancarlo Greco, CEO da Elo.
Para Aline Pavan, Community CIO do Itaú, a tendência é que o agente de IA consiga operar em diferentes modalidades de pagamento, inclusive físicas, por meio de comando de voz. “Mas, para isso, é importante ter algumas salvaguardas a fim de não comprometer a experiência”, destacou.
Crédito consignado privado demanda resiliência e jornada sem fricção
O consignado privado figura como uma das grandes promessas para a expansão do setor de crédito. Mais de R$ 133 bilhões em empréstimos foram concedidos entre março de 2025 e junho deste ano para mais de 10 milhões de trabalhadores, conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Durante um painel sobre o tema no FEBRABAN TECH 2026, a opinião dos participantes foi unânime: a modalidade ainda está em fase de evolução.
Para potencializar seu crescimento, Alexandre Rhein, CIO de Tecnologia do Banco Daycoval, destacou o sincronismo da jornada como ponto de atenção. “As empresas precisam ter um sistema resiliente, que saiba reagir após falhas capazes de comprometer a sincronia e gerar fricções para o empregado. Ele não pode ser onerado por uma cadeia tão complexa”.
Os painelistas enfatizaram também a importância da avaliação de alguns fatores para a concessão do recurso, como o potencial de pagamento do empregador, de quem está tomando o crédito e seu vínculo com a empresa atual. “Isso aumenta a garantia e melhora o risco”, pontuou Alexandre.
Pix e cartões como meios de pagamento complementares
A digitalização da economia brasileira impulsionou a entrada de milhares de cidadãos no sistema financeiro nacional, no qual o uso do Pix convive em harmonia com o cartão. Segundo pesquisa feita pela Mastercard em parceria com o Nubank, 60% dos entrevistados que fizeram transações via Pix pela primeira vez passaram a utilizar cartões, sejam de débito ou pré-pagos.
“O Brasil se tornou referência mundial em meios de pagamento por possibilitar que diferentes modalidades atuem no mercado financeiro de forma harmoniosa e complementar. O Banco Central tem feito vários aprimoramentos que permitem isso”, avaliou Johnatan Maranhão, diretor de Regulatory Affairs da Mastercard, durante o FEBRABAN TECH 2026.
Na visão de Marcelo Tangioni, presidente da Mastercard Brasil, o mercado caminha para a interoperabilidade, e o Open Finance se juntará ao Pix e ao cartão. “Essa tríade vai guiar o avanço dos pagamentos no Brasil nos próximos anos e incentivará discussões mais estruturadas sobre portabilidade”. A Mastercard está estudando a possibilidade de oferecer liquidação em tempo real via cartões para o varejo.
Regulador e mercado debatem a regulamentação do BaaS
A regulamentação do Banking as a Service (BaaS), formalizada pela Resolução Conjunta nº 16/2025 do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional (CMN), foi debatida sob os aspectos de mercado, jurídico, regulatório e bancário. Entre as principais mudanças estão a concentração da responsabilidade regulatória, a identificação e qualificação de clientes (KYC), e a prevenção de fraudes sob a gestão das empresas que oferecem a infraestrutura.
Mardilson Queiroz, chefe do Departamento de Regulação do Banco Central, destacou que a intenção da norma é materializar os caminhos para o amadurecimento do ecossistema. “A Resolução traz clareza para os clientes sobre quem eles estão contratando, assim como para o BC. Além disso, a regulação une vários requerimentos sobre a atividade que estavam distribuídos em diversas normativas”.
Na visão da ABBAAS (Associação Brasileira de Banking as a Service), a regulação traz alguns desafios para as empresas do setor daqui em diante. “A resolução é bastante estruturada, mas trava alguns modelos financeiros com as padronizações previstas. O resultado é a redução da inovação, da concorrência e da inclusão”, analisou Rogério Melfi, diretor-executivo da associação.
Em sentido oposto, a Resolução vai estimular o aumento do número de tomadores que embarcam serviços financeiros, segundo Melfi. “Há empresas que não têm apetite para criar suas plataformas financeiras do zero, mas entendem que podem obter benefícios ao embarcar serviços financeiros na jornada de compra de seus clientes por meio da infraestrutura de parceiros de BaaS. Com as novas regras, elas vão concentrar as operações em um único prestador, reduzindo a gestão de múltiplos fornecedores”.
Para os bancos, a medida do Banco Central permite que o BaaS seja visto não apenas como uma ferramenta tecnológica, mas como uma extensão do ambiente de negócios dos clientes. “A maturidade do BaaS vai além de bons contratos. Ela tem que envolver parcerias que tragam uma gestão de risco equilibrada para as instituições financeiras”, destacou Rafael Giovanella, diretor de Controles Internos e Compliance do Banco do Brasil.
Celcoin lança o cel_agents no FEBRABAN TECH 2026
A Celcoin marca presença no FEBRABAN TECH 2026 com o lançamento do cel_agents, solução AI-First pioneira no mercado que aplica inteligência artificial nativa ao desenvolvimento e à integração de soluções financeiras.
A tecnologia reduz de cerca de três meses para poucas horas o tempo entre a decisão de criar um serviço financeiro e sua colocação em uso prático. O processo de cadastro, provisionamento do ambiente e habilitação para simulações passa a levar menos de 5 minutos.
Desenvolvida para atender tanto gestores de produto quanto equipes de engenharia, a plataforma combina quatro componentes fundamentais sob um mesmo contexto: sandbox self-service autônomo, integração via MCP (Model Context Protocol), cel_agents Studio e soluções nativas com expansão simplificada.
Para conhecer essa novidade, visite o estande da Celcoin no evento (estande A110) ou acesse nosso site: www.celcoin.ai.
O FEBRABAN TECH acontece entre os dias 24 e 26 de agosto no Distrito Anhembi (SP).