Além do crescimento expressivo no crédito concedido, houve aumento na base de clientes e na maturidade operacional, segundo a 6ª edição da Pesquisa de Crédito Digital, realizada pela ABCD e pela PwC Brasil
O aumento do volume de crédito concedido pelas fintechs em 2025 foi de 51% em relação ao ano anterior, somando R$ 53,8 bilhões. Quase 80% das fintechs já aceitam algum tipo de garantia nas operações, o maior índice da série histórica na Pesquisa Fintechs de Crédito Digital, realizada pela PwC Brasil e pela Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD). Os dados da 6ª edição revelam que a expansão se deu mesmo em um cenário macroeconômico mais desafiador e marcado pelo alto custo de captação.
Além do crescimento no crédito concedido, houve aumento na base de clientes – chegando a 94,9 milhões de pessoas físicas e 72 mil pessoas jurídicas atendidas, entre Brasil e exterior, uma alta de 40% na base doméstica – e na maturidade operacional, com 60% das fintechs participantes em fase de consolidação, com faturamento ou investimento total acima de R$ 20 milhões.
Foi o nono ano consecutivo de crescimento robusto das fintechs de crédito digital. O volume concedido passou de R$ 35,5 bilhões em 2024 para R$ 53,8 bilhões em 2025. Em menos de uma década, o montante foi multiplicado por mais de 330 vezes, sem recuar, uma vez que, em 2016, quando a série histórica começou, a soma era de R$ 161 milhões.
De acordo com a pesquisa, a expansão foi predominantemente orgânica, com 82% do crescimento oriundo do aumento das operações já existentes e 18% decorrente do lançamento de produtos. A análise aponta que o perfil reflete a maturidade das carteiras mais do que uma aposta em inovação de portfólio.
O estudo também evidenciou o papel das fintechs na inclusão financeira e na regionalização do acesso ao crédito. O Nordeste continua avançando em números absolutos e alcançou 20,7 milhões de clientes, consolidando o alcance e a relevância do setor mesmo fora dos grandes centros financeiros tradicionais.
Para Willer Marcondes, sócio para serviços financeiros da Strategy&, consultoria estratégica da PwC, o setor se provou, crescendo de forma consistente, evoluindo em estrutura, ampliando a base de clientes e mostrando resiliência.
“Hoje, as fintechs já não competem por taxa. Competem por serviço, atendimento, relevância para o cliente. O próximo ciclo vai exigir mais. No segmento de pessoa jurídica, a reforma tributária e o split payment vão eliminar o colchão fiscal que integra, hoje, o capital de giro das empresas, e isso vai criar uma demanda estrutural por crédito que as fintechs têm condições de atender”, disse, em nota à imprensa.
A relevância do crédito consignado
A composição da oferta de crédito mudou de forma significativa nos últimos anos. A 6ª edição apontou para uma mudança na composição da oferta, com o crédito consignado se tornando um dos principais motores de expansão e solidez. O crédito sem garantia, que representava 60% das ofertas em 2019, caiu para 14% em 2025, enquanto o consignado para trabalhadores do setor privado passou a ser oferecido por 47% das fintechs participantes, contra 40% no ano anterior.
O saldo total em consignado, somando trabalhadores do setor privado, beneficiários do INSS e servidores públicos, saltou de R$ 1,7 bilhão em 2023 para R$ 15,8 bilhões em 2025. Em dois anos, esses produtos multiplicaram por nove o volume de crédito concedido pelas fintechs participantes.
Houve ainda avanço das garantias, com 79% das fintechs já aceitando algum tipo de garantia, contra 34% em 2021. A pesquisa concluiu que a demanda represada é grande, uma vez que as fintechs receberam 79,8 milhões de solicitações de consignado para trabalhadores do setor privado em 2025 e aprovaram apenas 11% delas, um “sinal de seletividade, não de falta de apetite”.
Em relação às taxas, o setor segue competitivo em boa parte das modalidades. No rotativo do cartão, a diferença é a mais expressiva: 115% ao ano nas fintechs, contra 442% na média do mercado. A inadimplência entre pessoas físicas ficou em 10,1%, ante 9,5% em 2024, uma leve alta, num cenário em que 81 milhões de brasileiros estavam negativados ao longo do ano. No segmento PJ, o índice permaneceu em 3,4% pelo segundo ano consecutivo.
Embedded Finance: Celcoin como infraestrutura financeira para fintechs de crédito digital
A evolução das fintechs de crédito digital ao longo dos últimos anos tem uma relação direta com as infratechs, que fornecem a base tecnológica e regulatória para que essas instituições escalem de forma segura. Por meio do Embedded Finance, a Celcoin atua nos bastidores desse crescimento, oferecendo uma infraestrutura completa que cobre de ponta a ponta todas as etapas da esteira de crédito, desde a originação e emissão de CCBs até a liquidação e cobrança.
Essa tecnologia viabiliza a oferta de diversas modalidades de crédito com agilidade, escala e total conformidade com as regras do Banco Central. É o caso da SuperSim, fintech de microcrédito que utiliza a infraestrutura de crédito e pagamentos da Celcoin para realizar desembolsos instantâneos via Pix 24/7, garantindo escalabilidade e uma experiência sem fricção para o cliente final.
Além disso, acompanhando a forte tendência apontada pela pesquisa da ABCD e da PwC sobre o avanço do crédito garantido e do consignado, a Celcoin oferece a tecnologia pioneira de Consignado as a Service, simplificando a jornada de produtos como o Crédito do Trabalhador. Um exemplo real desse impacto é a Fintech do Corban, que estruturou sua operação de consignado CLT sobre a plataforma da Celcoin e originou quase R$ 6 milhões em crédito em apenas 45 dias.
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