O cliente está no centro das estratégias de negócios das instituições financeiras. De acordo com a segunda edição da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, apresentada no último dia do FEBRABAN TECH 2026, 80% das empresas do segmento investem em IA para se diferenciar e oferecer a melhor experiência ao usuário, com conveniência, personalização e segurança. E em relação à cibersegurança, esse percentual chega próximo a 100%.
Do volume total de R$ 50,4 bilhões previstos pela Febraban em aportes tecnológicos para este ano, R$ 3 bilhões destinam-se à IA Generativa, recurso utilizado por 70% dos bancos para otimizar essa jornada. “Quem não olhar para isso, vai perder mercado”, sinalizou Wanderley Baccala, CTO do Porto Bank.
Na estratégia de diferenciação, 68% priorizam a personalização de produtos e serviços, 53% buscam explorar dados compartilhados via Open Finance e 51% já utilizam esses insumos em iniciativas de CRM.
Apesar da presença cada vez maior da inteligência artificial na realidade corporativa, o setor ainda não atingiu o topo de seu potencial – apenas 20% dos bancos contam com a IA em grande escala. “Há muitas oportunidades para serem exploradas por essas tecnologias. Alguns retornos já estão sendo obtidos, como um ganho superior a 10% na eficiência do atendimento com essas ferramentas”, pontuou Sergio Biagini, sócio FSI – Banking & Capital Markets Leader da Deloitte Brasil, parceira da Febraban na produção do estudo.
Alocar recursos nessas soluções acompanha o comportamento financeiro dos usuários, que utilizam os meios digitais como principais canais de movimentação. Do total de 240,8 bilhões de transações realizadas em 2025, 78% ocorreram via mobile banking, sendo 92% efetuadas por pessoas físicas, mantendo a liderança identificada no levantamento anterior. Já mais de 70% das operações das empresas concentraram-se no internet banking, com aumento de 12% na presença do canal móvel.
“Hoje o usuário escolhe qual meio quer usar para fazer cada tipo de movimentação”, destacou Francesco Di Marcello, diretor executivo de Tecnologia e CIO do Bradesco. A pesquisa da Febraban identificou esse movimento: a aplicação mobile é a preferida das pessoas físicas para a contratação de investimentos e crédito.
O futuro dos serviços financeiros no FEBRABAN TECH 2026
Além do estudo, o papel da IA na construção do futuro do setor esteve no centro dos debates no encerramento do evento. Para Rodrigo Mulinari, diretor de Tecnologia do Banco do Brasil, as instituições estão começando a gerar valor com essa arquitetura. “Hoje nós temos um modelo mais maduro que melhora a experiência do cliente, traz resultados de negócios, possibilita ofertas mais personalizadas e análise de risco”.
A tendência de desmaterialização dos aplicativos aproxima-se da realidade. “Daqui a cinco anos não vamos mais entregar telas personalizadas para os clientes”, enfatizou Di Marcello.
A IA atuará na entrega de canais integrados, permitindo ao usuário iniciar uma transação em um ambiente e concluí-la em outro, na visão de Mulinari. “Em cinco anos, os serviços financeiros serão mais transparentes e incorporados ao dia a dia. Os clientes não precisarão mais se adaptar aos bancos”, projetou Baccala, do Porto Bank.
Adriano Meirinho, cofundador e CAIO da Celcoin, ressaltou em painel sobre inteligência artificial do FEBRABAN TECH 2026 que o ambiente para essas evoluções precisa ser seguro para inovar. “No futuro, as pessoas poderão fazer Pix via wallets ou tomar crédito pelo carro ou pela televisão”.
Além disso, os agentes de IA devem se tornar consultivos: serão capazes de avisar o cliente sobre o comportamento de seus investimentos, sugerir opções para alocar recursos, orientar sobre formas de pagamento em compras e saldar compromissos mensais.
BaaS é muito mais do que uma conta e abre oportunidades
No último dia do FEBRABAN TECH 2026, o Banking as a Service (BaaS) voltou ao centro das discussões, com foco na expansão do mercado. Estima-se que o setor alcance US$ 85,73 bilhões globalmente até 2032, segundo dados da Persistent Market Research. No Brasil, pesquisa realizada pela Celcoin e pelo Intellectual Market Insights Research (IMIR) apontou que o modelo tende a ultrapassar US$ 5 bilhões em 2031.
Marcelo França, cofundador e CEO da Celcoin, participou de painel sobre finanças embarcadas e destacou a ampliação do alcance dessa estrutura. “Hoje há marketplaces, varejistas e ERPs que utilizam o BaaS e oferecem serviços financeiros de maneira segura e com custo reduzido aos seus clientes. Toda empresa tem condições de fazer isso”.
Contudo, Marcelo ressaltou que a Celcoin adota critérios rigorosos ao formalizar parcerias para os serviços de BaaS. “Nem toda empresa está estruturada para operar o modelo, seja em relação à segurança, equipe ou outros aspectos. Preferimos crescer com estabilidade, o que constrói uma reputação que atrai bons clientes”.
Em outro painel sobre o tema, Thiago Gonçalves de Araujo, superintendente sênior do Bradesco, abordou a necessidade de adaptação à realidade de cada parceiro. “Nós temos que estar onde os negócios do cliente acontecem”, complementou.
Ele enfatizou que o Embedded Finance vai além de uma conta digital. “A conta não é o produto inicial. Hoje é possível oferecer crédito sem essa etapa”.
Por fim, compartilhou sua análise sobre o cenário regulatório. “Quando o regulador estabelece novas regras, significa que a atividade deixou de ser experimental e consolidou-se como negócio”.
Celcoin lança o cel_agents no FEBRABAN TECH 2026
A Celcoin marcou presença no FEBRABAN TECH 2026 com o lançamento do cel_agents, solução AI-First pioneira no mercado que aplica inteligência artificial nativa ao desenvolvimento e à integração de soluções financeiras.
A tecnologia reduz de cerca de três meses para poucas horas o tempo entre a decisão de criar um serviço financeiro e sua colocação em uso prático. O processo de cadastro, provisionamento do ambiente e habilitação para simulações passa a levar menos de 5 minutos.
Desenvolvida para atender tanto gestores de produto quanto equipes de engenharia, a plataforma combina quatro componentes fundamentais sob um mesmo contexto: sandbox self-service autônomo, integração via MCP (Model Context Protocol), cel_agents Studio e soluções nativas com expansão simplificada.
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