Inovação humanizada e as APIs entre equipes

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O Open Finance foi um dos temas mais ouvidos no Brasil em 2022. Segundo o Banco Central, a Open Banking Excellence, com sede no Reino Unido, país onde nasceu o Open Banking, indica que o Brasil vai superar, em breve, os britânicos em números de usuários do sistema financeiro aberto. Mas o termo Open Finance ainda suscita dúvidas, sobretudo, entre os clientes de instituições financeiras. 

Por fazer parte de uma das principais tendências em inovação, a API economy ou economia das APIs, mostra que o Open Finance é uma infraestrutura que oferece muitas possibilidades de negócios. Essa pluralidade de opções existe exatamente por se tratar de uma plataforma com natureza aberta. 

Por outro lado, como se trata de uma infraestrutura e não de um produto, como o Pix, parte da população brasileira, incluindo o segmento corporativo, que poderia ser beneficiada pelo desenvolvimento do Open Finance ainda tem dificuldades em identificar potenciais de inovação nessa jornada.

Quando se fala em inovação no Brasil, sempre vale a pena convidar para a conversa Alexandre Uehara. Embaixador da SingularityU São Paulo Chapter, fundador e Head Inovação da Innov8 Mindset & Strategy, Uehara é um dos mais requisitados palestrantes sobre inovação e um defensor do Open Everything

Para entender os caminhos futuros do Open Finance, Adriano Meirinho, CMO e co-fundador da Celcoin, convidou Uehara para uma conversa sobre tecnologia, inovação e tendências no Brasil

Adriano Meirinho: Muito se fala na necessidade de inovar, mas o que significa inovação na prática? 

Alexandre Uehara: Costumo dizer que inovação não é ter ideias, mas saber como executá-las. Trago o conceito de Open Everything, porque vivemos numa cultura de dados. Isso é um diferencial, mas é preciso saber cruzar esses dados, extrair a informação certa e criar a inteligência com os dados. O Open Everything tem esse potencial, justamente por utilizar APIs e promover uma integração.

Um exemplo do Open Everything no setor bancário é cruzar dados do agronegócio com produtos financeiros. Posso identificar, por exemplo, um evento meteorológico que vai afetar uma safra e antecipar a oferta de seguro para um cliente. É esse tipo de oportunidade de negócios que o Open Everything traz.

Mas, para podermos experimentar o Open Everything, é preciso que as empresas estejam abertas à cultura da inovação, à experimentação e ao erro, o tão falado fail fast. Se não houver essa cultura, não dá para experimentar, sem isso, não há inovação.

As empresas não precisam de departamentos de inovação. Isso é um erro. A inovação tem que ser uma cultura nas organizações. 

Cada vez mais todas as áreas precisam entender de tecnologia. O grande diferencial das empresas passa por equipes que conseguem ter entendimento simultâneo do negócio, da tecnologia e da inovação.

Adriano Meirinho: Como aproveitar esse potencial de inovação para desenvolver o Open Finance no Brasil?

Alexandre Uehara: Há um potencial no Open Finance muito maior que no Pix, justamente porque o Open Finance é uma infraestrutura, com inúmeras possibilidades a serem abertas. Muitas fintechs já perceberam isso. É o caso da Celcoin. 

Entre as fintechs que têm esse diferencial, percebo uma agilidade na comunicação entre equipes. Elas se comunicam melhor. É como se houvesse um conjunto de APIs entre as equipes, funcionando perfeitamente. 

Esse é o caminho para a inovação humanizada. Devemos ter cada vez menos fricção entre a comunicação pessoal. 

Quando uso o termo APIs entre equipes, estou dizendo que, na prática, essa integração tem que funcionar para trocar experiências com agilidade e inovar de fato. A inovação precisa ser humanizada. 

Adriano Meirinho: Algumas pessoas costumam dizer que o Open Finance avançou muito rápido no Brasil. Você acha que esse ritmo de implantação foi adequado? 

Alexandre Uehara: Enquanto o Open Banking avançava no Reino Unido, o Brasil já tinha conhecimento do que estava acontecendo e foi fundamental o papel do Banco Central, que impulsionou um mercado muito controlado

Acho que o ritmo acelerado para a implantação do Open Finance foi necessário. Sou um admirador do Banco Central, por conseguir promover essa evolução. 

Essa lógica funcionou para o Pix também, porque o regulador lançou assim que o sistema de pagamento instantâneo apresentou requisitos mínimos de segurança. A jornada da inovação funciona assim: lançar o quanto antes e ir aprendendo com a evolução, o importante é garantir a segurança para o usuário.

Quando falamos em inovação, lançamos o produto para que o usuário tenha uma experiência minimamente segura e requisitos que gerem valor, mas vamos melhorando com o tempo. Essa é a jornada da inovação. 

Adriano Meirinho: Quais são os principais desafios do Open Finance no Brasil?

Alexandre Uehara: É preciso investir na integração de equipes, as APIs das equipes, como costumo dizer. E ainda no entendimento do papel dessa infraestrutura como pavimentação de negócio. 

Então, deve-se disseminar o conhecimento sobre o potencial do Open Finance. Em seguida, é necessário reforçar a segurança para o cliente, sem prejudicar a experiência dele. 

É curioso, porque a experiência do cliente e os requisitos de segurança, muitas vezes, estão em lados opostos. O segredo é equilibrá-los. 

Temos uma jornada longa no que refere à experiência do cliente. Hoje ela está muito restrita aos ambientes internos das empresas. Isso é uma questão difícil de resolver, porque a melhor experiência do cliente é a integrada. É por isso que o Open Everything se torna tão importante. 

Mas entendo também o receio das empresas em abrir dados para o concorrente. Porém, a experiência do cliente não pode ser isolada, exige uma integração de APIs.

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