Em um cenário onde a velocidade de decisão dita a sobrevivência das empresas e onde a queda de operações críticas pode gerar prejuízos milionários, a convergência entre inteligência artificial, governança e infraestrutura vem redefinindo desde o backoffice até a experiência do consumidor final. Essa foi a tônica do painel “De sinais a decisões: como dados, IA e confiança redefinem os serviços financeiros”, realizado no Febraban Tech 2026 e moderado por Alexandre Maioral, presidente da Oracle Brasil, com participação de Adriano Meirinho, cofundador da Celcoin, e Daniel Tadeu Trinhain, head do Sinacor da B3.
Para Alexandre Maioral, os dados convergentes funcionam como sinais vitais que aumentam a previsibilidade e reduzem riscos. Em sua fala de abertura, o líder da Oracle no Brasil ressaltou que a tolerância a falhas em ambientes de missão crítica é mínima. Segundo ele, uma queda pode custar até R$ 1,5 milhão por hora, além de ameaçar a reputação das companhias. Nesse contexto, a cultura de dados é o motor que acelera a tomada de decisões, exigindo coragem empresarial para transformar eficiência e produtividade em novas frentes de receita.
Essa busca por resiliência e agilidade reflete-se na operação da Celcoin. “A Celcoin é uma das principais infraestruturas financeiras do Brasil e obviamente nosso grande desafio é levar produtos financeiros de maneira mais veloz. Estamos investindo bastante em IA, principalmente na parte de governança, escalabilidade e performance, que são críticas”, disse Adriano Meirinho, explicando a atuação da empresa provendo tecnologia de banco como serviço (BaaS).
“A gente está por trás de bancos que estão com clientes. Segurança é essencial, Pix tem de ser em milissegundos. Dentro deste processo, colocamos inteligência artificial, mas o ambiente que a gente se hospeda tem de ser seguro e resiliente, e olhar para a fundação de dados”, acrescentou.
Na Celcoin, a inteligência artificial passou a ser tratada com foco pragmático na geração de valor, amparada por pilares fundamentais de segurança, conformidade com a LGPD e escalabilidade. A empresa estruturou sua fundação de dados para entregar camadas semânticas mais organizadas aos seus clientes, viabilizando inovações futuras e superando a visão de que a IA seria apenas uma moda passageira.
Meirinho frisou a velocidade exigida pelos clientes, que querem mudanças de forma mais rápida. “É trabalhar com dados mais rapidamente e com dados mais estruturados”, reforçou.
Falando sobre o desafio de modernizar uma plataforma com décadas de história, Daniel Tadeu Trinhain, Head do Sinacor na B3, apontou que o foco está em quebrar sistemas monolíticos em microsserviços para garantir escalabilidade, mantendo rígidos padrões de segurança cibernética, controle de risco e governança. “Temos plataforma legada com dados de 60 anos; é um nível extremamente rico, uma mina de informação para geração de novos negócios”, destacou Trinhain.
A estratégia da B3 visa permitir que corretoras e parceiros consumam informações de forma integrada, criando pontes de valor para o investidor final. Entre as possibilidades discutidas está o uso de algoritmos para análise comparativa de carteiras e identificação automatizada de oportunidades, substituindo processos tradicionais por serviços inteligentes na ponta.
“A régua do passado não mede mais o futuro”, finalizou Maioral.
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