O FEBRABAN TECH 2026 encerrou seus três dias de debates no Distrito Anhembi, em São Paulo, colocando a inteligência artificial como o motor central da transformação do mercado financeiro. Diferentemente de edições anteriores, que discutiam o potencial teórico da IA, a 36ª edição marcou a transição definitiva da tecnologia para a aplicação prática, governança e personalização em escala.
A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 revelou que o setor prevê investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia até o final de 2026, sendo R$ 3 bilhões direcionados exclusivamente à IA Generativa, com 100% das instituições financeiras fazendo aportes de recursos em cibersegurança para sustentar essa expansão.
Com a IA, a tecnologia financeira caminhará cada vez mais para a desmaterialização das interfaces bancárias, como os apps. Nos próximos anos, os bancos e as plataformas financeiras deixarão de exigir que o usuário se adapte às suas aplicações. A convergência entre agentes de IA autônomos, o ecossistema maduro do Pix, o Open Finance e o avanço do Banking as a Service (BaaS) criará uma infraestrutura embarcada no cotidiano, em que transações, ofertas de crédito e decisões de investimento ocorrerão de forma fluida, preditiva e integrada às rotinas dos usuários e das empresas.
Pagamentos via agentes de IA e eficiência no crédito
A inteligência artificial evoluiu do campo experimental para a gestão operacional e atendimento direto e mais completo ao cliente. Bancos apresentaram avanços significativos, como a plataforma ia.i, do Itaú, e a evolução da BIA GenAI, do Bradesco, com foco em interações por voz e linguagem natural para a realização de pagamentos.
No entanto, embora 70% das instituições financeiras utilizem IA Generativa para otimizar jornadas, apenas 20% operam a ferramenta em grande escala, o que sinaliza um vasto espaço de crescimento para os bancos. A pauta do setor concentrou-se na transparência e no uso responsável dos dados como premissas inegociáveis para garantir a confiança do consumidor.
No campo do crédito, a concessão ganhou eficiência com o uso de aprendizado profundo e análise de dados não convencionais. Startups destacaram o uso de modelos preditivos para avaliar PMEs sem histórico bancário tradicional, utilizando fontes alternativas como imagens de satélite para compor o score financeiro. Em paralelo, a modalidade de crédito consignado privado reforçou sua relevância no mercado após movimentar mais de R$ 133 bilhões entre março de 2025 e junho de 2026, exigindo das instituições sistemas altamente resilientes e jornadas sem fricção para impulsionar seu crescimento no país.
Revolução dos pagamentos e interoperabilidade
Uma das principais conclusões do FEBRABAN TECH 2026 em relação aos meios de pagamento é que diferentes modalidades caminham para consolidar um ecossistema completo.
O Pix está deixando de ser um produto isolado e passa a conviver de forma complementar com o mercado de cartões. A modalidade avançou com novos recursos como pagamentos por aproximação, biometria e Pix Automático, mantendo um papel decisivo na inclusão financeira. Essa convivência harmoniosa foi comprovada por pesquisas da Mastercard e do Nubank, mostrando que 60% dos novos usuários de Pix também passaram a utilizar cartões de débito ou pré-pagos, evidenciando a maturidade do arranjo de pagamentos brasileiro, que se tornou referência mundial.
A automação de pagamentos por meio de agentes de IA emergiu como uma das principais tendências para os próximos anos. Levantamentos apresentados por instituições como a Visa indicaram que a grande maioria dos consumidores está disposta a usar agentes digitais e delegar decisões de compra. A evolução dessa tecnologia abre caminho para transações acionadas diretamente por comando de voz e ecossistemas de carteiras digitais integradas a novos dispositivos, como veículos e aparelhos de televisão, transformando o ato de pagar em uma experiência transparente.
Regulamentação e Embedded Finance
O Embedded Finance e o Banking as a Service (BaaS) foram o tema central de alguns dos debates ao longo do FEBRABAN TECH 2026. O modelo consolidou-se como o pilar estratégico para que empresas de diferentes setores passem a ofertar serviços bancários e crédito de forma integrada. Um estudo elaborado pela Celcoin e Intellectual Market aponta que o mercado de BaaS no Brasil tende a ultrapassar US$ 5 bilhões até 2031.
Esse amadurecimento pode trazer um novo momento para esse mercado, com a Resolução Conjunta nº 16/2025 do Banco Central e do CMN, que formalizou a maturidade do setor ao estabelecer regras claras de responsabilidade, qualificação de clientes (KYC) e prevenção a fraudes.
Celcoin inaugura o cel_agents no FEBRABAN TECH 2026
Alinhada a este cenário de inovação em infraestrutura de tecnologia, a Celcoin marcou presença no evento com o lançamento do cel_agents, solução AI-First pioneira voltada ao desenvolvimento e integração de serviços financeiros.
A tecnologia aplica inteligência artificial nativa para reduzir de três meses para poucas horas o tempo entre a decisão de criar um serviço financeiro e sua aplicação prática, além de expandir o portfólio de produtos com o uso de um único endpoint.
Saiba mais sobre o cel_agents: www.celcoin.ai