Relatório do BC aponta que mais de 30 milhões de pessoas puderam fazer o primeiro financiamento nos últimos quatro anos
Na população brasileira, as mulheres despontam como protagonistas na tomada de crédito. Entre a população feminina adulta, 79% têm algum tipo de financiamento. Com relação aos homens, esse percentual baixa para 76%. Os dados fazem parte do Relatório de Cidadania Financeira 2025, desenvolvido pelo Banco Central (BC).
A análise considerou o perfil da população tomadora de crédito de acordo com as bases de dados estimadas pelo Censo de 2022, realizado pelo IBGE, inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). No total, foram analisados 62,4 milhões de pessoas inscritas no CadÚnico e 52,2 milhões na RAIS. O BC ressalta no estudo que uma mesma pessoa pode constar nas duas bases e não houve um tratamento dos dados levando em conta a sobreposição de CPFs entre elas.
Entre as modalidades mais utilizadas por mulheres (brancas e negras), o crédito consignado é o preferido. Nos dados da RAIS, entre as mulheres brancas, 27% têm algum tipo de crédito consignado, seguido do cartão de crédito à vista (19%). Para 26% das clientes negras, o crédito consignado é o instrumento mais utilizado, seguido também do cartão de crédito à vista (20%).
Entre os homens brancos, 21% afirmam ter alguma operação de crédito consignado. Na população masculina negra, esse percentual sobe para 22%. A análise, válida para população masculina e feminina, considerou dados de perfil racial da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).
Izabela Correa, diretora de cidadania e supervisão de conduta do BC, ressaltou na live de apresentação do estudo que o Relatório de Cidadania Financeira 2025 traz uma abordagem inédita, na esfera do regulador, por analisar dados de gênero e raça. O documento é um retrato da situação do brasileiro em relação ao apetite por instrumentos de financiamento.
O passo seguinte, na visão de Correa, é entender o que motiva a escolha de homens e mulheres, bancos e negros, por determinado produto de crédito. Essa análise servirá para corroborar ações do BC que tornem programas de educação financeira mais efetivos.
Taxas de juros
Com relação aos juros cobrados nas operações de crédito, o relatório mostra que há uma alta heterogeneidade nas taxas embutidas nas modalidades. Na análise entre homens e mulheres da mesma raça, o levantamento aponta que, de um modo geral, as mulheres contratam créditos mais caros que os homens. Na análise do mesmo gênero, pessoas de raça negra pagam mais caro pelo crédito.
Mulheres negras têm o percentual mais alto de utilização do cartão rotativo (18%), enquanto 15% de clientes brancas usam essa modalidade. Entre os homens brancos, o percentual do uso do rotativo cai para 13%. Esse grupo é ainda o que mais utiliza financiamento de automóveis (7%).
Jovens aumentam o acesso a produtos financeiros
O relatório do BC aponta que, nos últimos quatro anos, mais de 30 milhões de pessoas acessaram produtos de crédito pela primeira vez. Nesse grupo, os jovens (pessoas entre 15 e 29 anos) são maioria. O acesso ao crédito dobrou para a população abaixo de 30 anos nos últimos oito anos, mas o limite de crédito ainda é baixo.
Por outro lado, a inadimplência é maior entre os jovens, na comparação com o perfil do tomador de crédito da população adulta (de 30 a 59 anos) e idosa (acima de 60 anos). O relatório mostra que a taxa de inadimplência entre jovens independe da faixa de renda e que o cartão de crédito é a modalidade mais utilizada.
Na população com renda até dois salários mínimos, a inadimplência média, nos últimos oito anos, girou em torno de 7,4% para jovens. Esse percentual cai para 6,1%, entre adultos, e baixa ainda mais na população idosa (4,9%).