Durante décadas, oferecer serviços financeiros no Brasil foi uma atividade que se limitava a um número reduzido de instituições. O acesso à infraestrutura necessária para operar crédito, pagamentos e contas digitais exigia licenças regulatórias próprias, sistemas complexos e investimentos elevados.
Nos últimos anos, uma combinação de fatores vem redesenhando essa realidade do mercado financeiro no Brasil. O avanço dos FIDCs, a evolução regulatória promovida pelo Banco Central, a consolidação do Pix e o amadurecimento das tecnologias de Embedded Finance criaram condições para que empresas de diferentes setores passassem a incorporar serviços financeiros aos seus próprios ecossistemas.
O cenário financeiro atual
O movimento acontece em um mercado ainda altamente concentrado. Hoje, menos de dez instituições concentram mais de um quarto do lucro das empresas listadas na bolsa brasileira, sendo que aproximadamente metade desse resultado está relacionada ao crédito.
Ao mesmo tempo, o patrimônio dos FIDCs segue crescendo em ritmo acelerado. Em 2024, o volume alcançou R$ 635 bilhões, um avanço superior a 42% em relação ao ano anterior. Em 2025, o patrimônio líquido do setor ultrapassou a marca de R$ 800 bilhões.
Os números mostram que o mercado financeiro brasileiro vive um processo gradual de desconcentração. E essa transformação está sendo impulsionada por uma camada que muitas vezes permanece invisível para o usuário final: a infraestrutura financeira.
Desconcentração bancária nos diferentes setores
Quando um varejista oferece crédito aos seus clientes, uma imobiliária automatiza o pagamento de comissões ou uma fintech concede empréstimos instantaneamente via Pix, existe uma infraestrutura tecnológica e regulatória operando nos bastidores.
É ela que conecta pagamentos, contas, crédito, liquidação, compliance e integrações regulatórias em uma única jornada. Por meio dela, empresas que não são bancos oferecem serviços financeiros sem precisar se transformar em uma instituição bancária ou depender de múltiplos intermediários.
O papel da Celcoin como infratech financeira
Hoje, mais de 800 empresas, fintechs e bancos digitais utilizam a infraestrutura de tecnologia financeira da Celcoin. Juntas, elas movimentam mais de R$ 40 bilhões por mês e atendem cerca de 6,3 milhões de CPFs únicos.
Através das verticais de Banking, Credit e Payments, as empresas contam com soluções completas e conseguem lançar contas digitais, integrar Pix, estruturar operações de crédito, realizar cobranças, antecipar recebíveis e criar experiências financeiras totalmente integradas aos seus negócios.
O resultado é um mercado mais aberto, onde empresas de diferentes segmentos passam a capturar parte do valor financeiro gerado dentro dos próprios ecossistemas. Um movimento que já pode ser observado em diferentes setores da economia.
No varejo, a C&A Pay utilizou a infraestrutura da Celcoin para automatizar sua operação de cobrança e recuperação de crédito, escalando a gestão de uma base com cerca de 9 milhões de cartões digitais cadastrados de forma mais eficiente e digital, com um tempo recorde de implementação de apenas 3 meses.
No mercado imobiliário, a PipeImob integrou soluções de banking, payments e crédito para digitalizar toda a jornada financeira de corretores e imobiliárias, com contas digitais, split de pagamentos e antecipação de recebíveis dentro da própria plataforma.
Na concessão de crédito digital, a SuperSim ampliou sua operação voltada à população sub-bancarizada com análise automatizada, emissão de CCBs e desembolso instantâneo via Pix, ganhando escala com alta disponibilidade operacional.
Já a Fintech do Corban estruturou sua operação de crédito consignado com a solução de Consignado as a Service da Celcoin e originou cerca de R$ 6 milhões em crédito em poucas semanas, acelerando o acesso ao Crédito do Trabalhador.
Embora atuem em mercados diferentes, todos esses casos mostram o mesmo padrão: empresas incorporando serviços financeiros aos seus ecossistemas com o apoio de uma infraestrutura de tecnologia financeira especializada.
O futuro da descentralização dos serviços financeiros
A próxima fase do sistema financeiro brasileiro não será marcada apenas pelo crescimento das fintechs, mas também pela entrada de empresas de diferentes setores no universo dos serviços financeiros.
A desconcentração não acontece porque os bancos deixam de existir. Ela acontece porque cada vez mais empresas passam a participar da cadeia de valor financeira. E, para que isso aconteça, existem camadas de tecnologia, compliance, licenças e infraestrutura operacional que tornam essa transformação possível.
Na Celcoin, seguimos na vanguarda desse movimento e, mais do que conectar empresas ao sistema financeiro, possibilitamos a todas as empresas construir sua própria infraestrutura, de acordo com suas necessidades e ambições.